1. The Carry: o leito do rio e seus afluentes, o movimento das águas e as margens do rio que são os seus limites, contornos que não restringem, mas possibilitam a passagem das águas, a leveza de ser.
2. Turkey Pound: o corpo em movimento do homem robusto esbanja masculinidade, ele contrasta e ao mesmo tempo se integra com a delicadeza da vegetação, em direção às águas tranquilas.
3. Wind from the Sea: a janela aberta descortina a serenidade da brisa que invade o espaço íntimo, pois há um mundo 'lá fora', caminho que alcança outro mundo, o mar-horizonte, repleto de possibilidades.
4. Roof at Archies: o céu nebuloso e o balanço das folhagens antecipam a chuva que está por vir, então, somos convidados a correr para não apanhá-la (por que não?), através de um rastro que nos leva a um abrigo mais próximo.
5. Christina´s World: a frágil e jovem Cristina semi-deitada na relva, possuía uma doença muscular degenerativa. Apesar da elevação e da distância da casa, os sulcos do caminho estão próximos e, com algum esforço, poderá chegar até eles e conduzir-se ao seu destino, aliás, uma habitação-abrigo que parece chamá-la.
6. Leaving: da varanda, a mulher em pé contempla sem pudor a paisagem, ela se oferece ao mundo da vida, numa atitude (ética) de doação.
7. Over Flow: a mulher deitada descansa na cama esbanja feminilidade, o tom de sua pele se integra à textura das paredes do quarto e seu sexo ao da árvore, a árvore-sexo (ou o sexo-árvore) que dá frutos.
8. The Blue Door: a luz penetra o espaço da velha casa, revelando as marcas de um tempo que se foi, mas que deixou suas histórias-raízes.
9. Baleen: o homem sentado a beira mar parece absolutamente integrado ao cenário idílico, afinal, recebe aos seus pés as águas tranquilas, bem como a pequena ilha a sua frente.
10. Refuge: apesar do frio e da predominância de tons monocromáticos, a mulher encontra seu canto, pode ser íntima de si mesma e formar raízes profundas, apoiada na grande árvore enraizada.
11. Old Albert: o 'velho' Albert se ocupa no seu dia a dia, na companhia de três gatos amigos, num cenário florido, vivo, 'jovem' e multicolorido.
12. Distant Thunder: o homem ou a mulher descansa deitado(a) na relva, acompanhado(a) pelo cão amigo e por objetos pessoais (um livro e um pote), num momento de pausa (logo após um esforço?) e no aconchego proporcionado pelas sombras da natureza.
13. End of Olsens: as águas tranquilas, o voo de um pássaro e a pausa de outro no telhado da casa, a chaminé que possibilita o contato 'interior' com o mundo 'exterior'. Sempre a relação com diversos espaços afetivos.
14. Master Bedroom: o cão adormece no silêncio absoluto do quarto, sem qualquer sinal de ruído no mundo.
15. Writing Chair: uma pequena janela ilumina e aquece o ambiente, uma cadeira para escrever, um antigo porém sólido chão de madeira e uma peça de vestuário que se 'sustenta' no braço da cadeira. Podem então, o homem ou a mulher, ali retornar. Expressão pictórica da leveza.
16. Ships Clock: três objetos disponíveis - uma pequena chave, um relógio redondo e uma lamparina -, todos 'suportados' por três outros objetos. Poderíamos dizer: a leveza de ser encontrou sustentação, pois quando utilizamos a chave para abrir, encontramos algo, ou quando a utilizamos para fechar, deixamos algo, mergulhados numa temporalidade finita (relógio) e desvelados pela luz (lamparina).
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Buscar a leveza como reação ao peso de viver, como o herói das fábulas procura o voo a outros mundos. E isto não significa uma fuga, apenas uma subtração do peso, mudança de pontos de vista, caminhos novos a explorar. Não se trata de eliminar o inerente peso da existência, ora sustentável, ora insuportável, mas fundamentalmente, 'é preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma' (Paul Valéry). São imagens do artista americano Andrew Wyeth (1917 - 2009), que ilustram a condição humana, personagens que tentam se integrar ao ambiente, cenários que convidam o espectador a uma busca de leveza, a pequenos pontos de observação, mas que possuem uma tremenda força de expansão (Roland Barthes).
Buscar a leveza como reação ao peso de viver, como o herói das fábulas procura o voo a outros mundos. E isto não significa uma fuga, apenas uma subtração do peso, mudança de pontos de vista, caminhos novos a explorar. Não se trata de eliminar o inerente peso da existência, ora sustentável, ora insuportável, mas fundamentalmente, 'é preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma' (Paul Valéry). São imagens do artista americano Andrew Wyeth (1917 - 2009), que ilustram a condição humana, personagens que tentam se integrar ao ambiente, cenários que convidam o espectador a uma busca de leveza, a pequenos pontos de observação, mas que possuem uma tremenda força de expansão (Roland Barthes).
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Fico feliz por poder realizar esta pequena homenagem ao artista plástico falecido em Janeiro deste ano de 2009.
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